terça-feira, 17 de outubro de 2017

Serei eu o terceiro género?


O meu marido meio a brincar meio a sério diz-me regularmente que devia ter nascido homem. Desde pequena sempre achei que se tivesse nascido homem teria dominado o mundo. Não é que ao ser mulher essa possibilidade fique automaticamente fora de coagitação no entanto à que reconhecer que é bastante mais difícil.

Nunca chorei em público, engolia as emoções e esperava pela noite para chorar sozinha. Aprendi cedo a fazer “o que era preciso”. Não preciso de um homem para mudar uma lâmpada, verificar as tomadas, furar a parede com berbequim. Não preciso de um homem para me pagar as contas, na verdade sou eu que estou encarregue dessa gestão. Engraçado como o que aprendemos na primeira infância acaba por nos definir e toldar o pensamento na idade adulta. Um homem pode chorar em publico e continuar a ser homem no entanto se eu chorar em público deixo de ser “homem” para voltar a ser apenas uma “mulher”. Eu sou uma mulher, não “apenas uma mulher”! Uma mulher que não se permite feminismos. Uma mulher que se tenta comportar como acha que um homem se comporta. Estranho não?

Afinal o que sou? Serei eu o terceiro género?