segunda-feira, 17 de julho de 2017

O cromossoma


E se eu não for capaz?

Acho que desde cedo tive consciência que a minha vida seria muito mais fácil se tivesse nascido homem. Se eu fosse um homem ia pertencer automaticamente ao “clube” . Podia ir jogar ténis sempre que quisesse ao final do dia sem me preocupar com o jantar ou o banho dos miúdos porque eles teriam a mãe para tratar desses pormenores. Poderia chegar a casa e tomar o banho e jantar sossegado, isto porque a minha esposa já teria o jantar feito e os miúdos provavelmente já estariam a dormir. No dia a seguir de manhã não teria de me preocupar com a roupa porque certamente a minha esposa já teria lavado e colocado para passar a ferro a roupa da semana anterior. Não teria de me preocupar com as compras para casa, no máximo  diria à minha mulher que a pasta de dentes acabou e que ela se tinha esquecido de comprar mais. Ah, e não teria de me preocupar com a alimentação dos miúdos, isso é coisa para as mães se preocuparem, e por isso não teria de me preocupar se a sopa e o segundo prato estavam feitos a tempo e horas, se a fruta tinha sido tirada do frigorifico a tempo de já não estar gelada e os miúdos poderem comê-la à sobremesa.

Claro que iria ajudar a minha esposa. Por exemplo se ela se atrasasse iria ligar-lhe e perguntar o que é o jantar e até lhe podia fazer o favor de dar a papa ou o leite aos miúdos e encomendar jantar para nós. Mas não me peçam para saber qual a caixa de comida congelada tenho de tirar do congelar. Eu sei lá como é que se descongela a comida no micro-ondas, isso é coisa de mulheres. Ah o jantar dos miúdos também me atrapalha por isso nada de complicações, no dia a seguir a minha querida esposa trata de lhes dar um jantar saudável como ela gosta.

Se eu fosse um homem o trabalho seria tão mais fácil. As mulheres lutam demais no escritório e às vezes ficam descontroladas. É muito mais fácil trabalhar com homens, além disso às 4ª feiras seria dia de jogar padle e se trabalhássemos todos na mesma equipa ficaria mais fácil para nos coordenarmos. Ao almoço também iria preferir almoçar com os rapazes lá do escritório, as mulheres têm sempre demasiadas tarefas a fazer à hora de almoço e isso ia-me obrigar a comer à pressa se quisesse ter companhia. É que, as mulheres, inventam que precisam de fazer coisas à hora de almoço: ir às compras, ir ao banco, à farmácia, comprar a pasta de dentes que acabou mas tem de ser aquela especial que só existe numa ervanária porque os meus dentes são sensíveis...

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Infinitamente Potencial

Ontem por um comentário, bastante inocente diga-se, percebi que as mães e os pais não nascem ao mesmo tempo. Eu senti-me mãe no momento em que o teste deu positivo, a partir daquele momento eu senti amor e um instinto animal de proteção. O meu marido só se transformou em pai bastante mais tarde. Acredito que não foi no parto que se transformou em pai, foi talvez quando teve de ficar sozinho com o filho a primeira vez.

Tudo começou quando referi que tinha muito medo de perder um filho na fase final da gravidez ele responde-me mas aí ainda não és mãe não podes comparar com perder um filho com 7 anos. Não sei porquê mas aquilo magoou-me muito. Desde quando é que se pode medir o sofrimento de uma mãe pela quantidade de anos que o filho viveu? Eu já era mãe antes de parir. Não sei se era com a mesma intensidade que sou hoje passado um ano mas com toda a certeza que era mãe. Acredito que o comentário não tenha sido mais do que um desabafo sem grande consciência do que estava a dizer, estávamos a conversar e saiu a pérola. Por outro lado fiquei a pensar que realmente os homens são de marte mas as mulheres são de um planeta vénus mas de outra galáxia! Não estamos sequer no mesmo comprimento de onda.
As nossas emoções, os nossos sentimentos não podem ser explicados porque a sua complexidade vai levar ao inevitável “tu pensas demais”. Não meu amor, eu não penso demais, mas sou infinitamente mais potencial do que tu.

Bom fim de semana