terça-feira, 19 de setembro de 2017

Olho do furacão

Ao longo da minha vida tenho sempre vivido momentos de intensa felicidade seguidos de momentos de profunda tristeza. Não me lembro de ter tido momentos de calmaria, de relax puro, gosto de viver nos extremos. Extremo de felicidade e extremo de tristeza. Não acredito em mares calmos.
No entanto, foi preciso passar a barreira dos 30 para genuinamente sentir uma grande tristeza alheia, não por mim mas pela minha irmã. Estamos em polos opostos da vida. Eu estou num momento de pura felicidade enquanto esta mulher que me é tão próxima está no olho do furacão da tristeza. Tira-me o sono sabê-la mal. Tira-me a paz saber que ela sofre. Destrói-me o coração ver a minha querida irmã como um fantasma, uma leve lembrança da mulher cheia de força e de vida que já foi um dia. Algures no tempo esta mulher e mãe esqueceu-se que era um ser humano maravilhoso, que tinha um brilho que iluminava uma sala quando entrava, não era preciso falar para perceber que ela tinha entrado em casa. Um amor quebrou-a, desiludiu-a e ela aceitou, e está disposta a continuar a aceitar. O motivo? Família, amor, medo... Não sei. Mesmo depois de ser mãe continuo sem perceber como é que uma família de pai e mãe juntos mas infelizes é melhor do que pai e mãe separados mas bem resolvidos com a vida, e até quem sabe com uma vida refeita ao lado de outra pessoa.
Que tipo de falta de amor por mim, quanta desvalorização tenho de ter por mim para preferir uma pessoa ao meu lado que não me ama? Não há sentimento, não há amor, não há carinho. O que sobra é a prevalência da vontade de um dos lados: “EU consegui que não te fosses embora”. Parabéns porque felicidades não me parece que a vás conseguir. És tão melhor do que aquilo que pensas.

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