A discriminação de género está presente todos os dias até mesmo em meios que à partida tal não seria de esperar. Está presente nos pequenos gestos. Quando não te convidam para o café e o cigarro, quando não fazes parte da lista para o Padel ou para o paintball. Está presente quando és excluída das “piadas internas” que entendes mas finges não entender.
Tanta coisa mudou nos últimos 10 anos. A maternidade veio alterar as prioridades e criar sentimentos ambíguos em relação aos desafios laborais. O que me motiva todos os dias? O meu filho. É por ele e para ele que me levanto todos os dias. Se devia ser assim? Não. O suposto era levantar-me motivada e adorar o meu trabalho e estar sempre linda, penteada e maquilhada e com um sorriso na cara. À noite conseguia colocar a criança a dormir a seguir ao jantar e ainda teria tempo para fazer amor apaixonado com o meu marido depois de partilharmos um copo de vinho tinto enquanto conversávamos sobre o nosso dia. Deixei-me dizer isto de uma forma crua: é Impossível.
Não somos máquinas, os nossos filhos não são máquinas. A vida não segue um guião. As desilusões são diárias e a nossa resistência física e emocional não é ilimitada. Os nossos maridos que foram educados como verdadeiros imperadores veem-se agora obrigados a serem companheiros e a fazer coisas que outrora pensaram ser feitas por osmose cósmica. E nós que fomos educadas para nos sentirmos princesas não poderíamos estar mais longe dessa realidade.
Seremos nós um conto de fadas falhado de príncipes e princesas frustrados?
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