A maternidade é muitas vezes sinónimo de solidão. Uma solidão diferente porque efetivamente não estamos sozinhas. Temos alguém que depende de nós e confia em nós cegamente mesmo quando somos as primeiras a duvidar. A imagem do bebé a dormir no berço enquanto a mãe está noutra qualquer divisão da sala ou falar com as amigas que vieram fazer uma visita não pode estar mais longe da realidade. E ainda bem!
Quando fui mãe tive ajuda das pessoas que me eram mais próximas nas tarefas normais que uma casa exige. Pouco tempo depois percebi que nem sempre essa ajuda é de facto "ajuda". Quando as palavras “Tens de te orientar e tratar melhor a casa, não podes andar sempre com o bebé ao colo” foram proferidas acho que foi das maiores dores que já senti. Doeram, principalmente, porque foi alguém em quem confiava muito.
O meu filho não é um candeeiro que deixo sozinho em cima da mesa de cabeceira e do qual só me lembro quando preciso de luz. É um ser humano ao qual eu quero dar todo o amor e carinho possível. Esta é a maternidade em que acredito. Não temos brinquedos aos montes espalhados em todas as divisões da casa. Não temos cadeiras topo de gama, espreguiçadeiras que se abanam sozinhas, nem o quarto decorado desde que o teste de gravidez deu positivo.
O bebé dorme no nosso quarto, o berço está “agarrado” à nossa cama, e o brinquedo preferido são uns tablas do pai que sempre estiveram na sala. E somos felizes assim. Cantamos, rimos e choramos como família, com amor e aconchego. Acredito que vai chegar o tempo do meu filho ter o seu quarto, e querer mais e mais brinquedos e pedir para ver desenhos animados. Mas de momento a etapa onde nos encontramos é a da partilha de amor, calor e espaço físico. E o resto? Não sei, neste momento este é todo o meu mundo.
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